inc

19 Maio 2008

Amo el peligro....


Vi el cielo abierto y comprobé qué esto es lo mío,
tranquilamente me encontré en el vacío. Sé que no hay forma de acabar más elegante con ésta idea de moral, recalcitrante. Y no me pidas que renuncie a la verdad.

No hay celo sin dolor, ni pena sin amor, es más fácil olvidarse qué vengarse. No hay fuego sin calor, ni cielo sin un dios al que ya no volveré a rezar.

En la tormenta encontré el equilibrio, ¿quién lo podía imaginar? Amo el peligro, vi mi futuro y lo cambié por el presente, de la memoria me olvidé, siempre me miente.

Y ahora sabemos de lo que yo soy capaz, no hay loco sin razón, ni falta sin perdón. Yo prefiero perdonarte que engañarte, no hay joya sin ladrón, ni esclava sin señor, y esta esclava no obedece más.

No hay celo sin dolor, ni pena sin amor, es más fácil olvidarse qué vengarse. No hay fuego sin calor, ni cielo sin un dios al que ya no volveré a rezar. En la tormenta encontré el equilibrio, ¿quién lo podía imaginar? Amo el peligro.

17 Maio 2008

CONFESIÓNS NO BALEIRO

1
INVIDIA


Pasas o ferro nas rúas,
na casa, no peito.
Estiras as pegadas do tempo
na cara, nas mans, no ventre.
No teu maxín se forman,
e viven e medran e morren,
as pantasmas das vidas alleas
que desexas, cobizas, anhelas.
A túa alma viste o abrigo
que unha estraña deixou
no colgadoiro dos teus segredos.

2
LUXURIA


Arde a terra de Venus
nas chamas
do inferno do purgatorio
da castidade.
Quéimanlle os desexos carmíneos
nas entrañas
do pozo dos desexos afogados
na soidade.
Inflámase a agonía dos peitos
inchados de sede
de bicos de beizos cobizosos
de entrar.
Devórana as ganas irrefreables
dun dous nun
que degora o día
que remata en noite.
A éxtase, o celme do froito desflorado,
desbócase
no corpo prendido dos ombros
no tendal dos soños doentes.

Cristina Paz Cernadas

ciência e arte no porto

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Com a presença, entre outros, de Jennifer Willet:
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Toda a info: www.ibmc.up.pt/hybrid

16 Maio 2008

as sete idades em barcelona

capa eva,  Image Hosting

22 Maio 2008, 20h
Galeria Sargadelos
Provença, 276
Barcelona
As Sete Idades As Sete Línguas
Diálogo Poético Intercultural
À volta do livro As Sete Idades de Eva Mendez Doroxo

dá-me lumiar


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17 de Maio, 22h
Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro
Telheiras
Lisboa

CHOQUE FRONTAL ENTRE UM AUTOMÓVEL E UM CARRO
de A. Branco
Encenação: A. Branco
Assistência de Encenação: Rafaela Lacerda Santos
Intérpretes: Eduardo Ribeiro, João Quiaios, Tânia Zaragoza
Produção: Fc-Acto / Corvo Manso


15 Maio 2008

Boticas, modo de existir



N'outro fim, de semana, forma de dizer semen+ana, pudorífica forma, estivemos em Boticas onde, para além do vinho dos respeitáveis mortos, às vezes (culpa judaico-cristã de Hermínio Chaves Fernandes) se bebe também vinho dos Vivos. A sementeira, o lugar de existência para quem existe criado o espaço público (esse espaço inexorávelmente definido pela Hannah Arendt), experimentou palcos saloios, assim salientando a ignorância dos multi-pagos gestores que à existência dizem nada.
Um teatro em Boticas é muito mais relevante que um Nobel na escandinávia, implica uma destearização das mentes formatadas para a recepção. Esta recepção inoculada tem partidas ou contra-partidas, faz a sua exegese em ditames anti-obstruccionistas que, não raro, adquirem a moldura de crime. O crime primeiro é tirar espaço, é tornar pessoal um espaço de todos. Diremos crime original? Bíblico? As energias necessitam de espaços de mistura e figuração, no acesso crítico que permite a auto-consciência tão arredada dos poderes.
O teatro, uma mostra clínicocultural de uma medida comunitária em extinção, ressuma o devir pelos cheiros, pela matrix onde se (re)volta pós-mundanidades, pós-plasticidades e até pós-estéticas.
O luar do eco acolhe as camas sobre os sobrados, a raíz dos rios ouve a voz que os fluviam até ao desaparecimento aparente: o mar, soma e sumo, será investigado não só como cemitério de emissões, mas como submisso meio de controlo de recepções.
Ao vermos Avarias, este primeiro êxodo da recepção obrigatória, pulsamos o manifesto humano, a meios de perguntar: não te manifestas porquê? Avarias ou decompostamente A Varias (Há Várias) explicita a superação do castrado, o lugar onde é possível existir fora dos monastérios que redundam o ego.
Estaremos lá, para fazer a bilheteira ou calibrar as luzes, assim o espaço não perca sentidos, mantenha-se para que humanos haja.

14 Maio 2008

cercadura do imenso

La Noche Blanca

En un inmenso hospital
un cuerpo vestido de espinas

Soy virtualmente la virgen del desierto
estampa desmayada sobre el miedo

Nada más, yo
con las manos llenas de clavos calientes
caminando descalza entre las dunas

Un inmenso hospital es un desierto blanco


A Noite Branca

Num imenso hospital
um corpo vestido de espinhos

sou virtualmente a virgem do deserto
estampa desmaiada sobre o medo

Nada mais, eu
com as mãos cheias de pregos quentes
caminhando descalça pelas dunas

um imenso hospital é um deserto branco


hai-kai de los pájaros

Cuidaré tus pájaros
pero me niego a hacer
el amor en la jaula.

hai-kai dos pássaros

Tratarei dos teus pássaros
nego-me a fazer porém
amor dentro da gaiola


Aleyda Quevedo

soundtrack em lisboa

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Fábrica Braço de Prata
Soundtrack! Festa da Música e do Cinema
22 a 24 de Maio
Fábrica do Braço de Prata
Lisboa


PROGRAMA SOUNDTRACK!

22 de Maio (Quinta-Feira)

Sala Visconti:
• 18:00 - Across the Universe, de Julie Taymor (2007)
• 20:00 – “Esquece Tudo o que te Disse”, António Ferreira (2002)
Tenda:
• 22:00 - Filme da banda: “Un Chien Andalou” e “L’Age d’Or”, de Luis Buñuel (1929)
• 00:00 - Concerto Ena Pá 2000
• 01:30 - DJ Pan Sorbe + VJ Paixão

23 de Maio (Sexta-Feira)
Sala Visconti:
• 19:00 – “A Primeira Noite, de Mike Nichols (1967)
• 21:00 – “Nosferatu”, de F. W. Murnau (1922) com música ao vivo de A Naked Lunch
Tenda:
• 22:30 - Filme da banda: “They Live”, de John Carpenter (1988)
• 00:00 - Concerto Coldfinger
• 01:30 - DJ Señor Pelota + VJ Paixão

24 de Maio (Sábado)
Sala Visconti:
• 18:00 – “Matinée” (animações de Fyodor Khitruk com música ao vivo de António Pedro e Ana Araújo)
Tenda:
• 19:00 – “Once”, de John Carney (2006) - [Estreia Nacional]
• 22:00 - Filme da banda: O Homem Elefante, de David Lynch (1980)
• 00:00 - Concerto Linda Martini
• 01:30 - Dj Mário Valente + Fulano 47 + VJ Paixão



info: http://www.myspace.com/incubadoraovo

13 Maio 2008

Ellens dritter Gesang

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anja millen

How Everything Turns Away



Como hoje praticamente todos morreram, passei o dia a ver imagens e pequenos filmes sobre a aparatosa arte do desequilíbrio, e, entre deflagrações e asas partidas, descobri o medo de voar e a estética do desinteresse. Depois de ter visto inúmeros aviões despenharem-se contra a inevitabilidade da matéria oposta à sua deriva, pensei na tragédia de Ícaro e na sua imperceptível ejecção, um segundo antes de se estatelar no mar que Bruegel pinta demasiado indiferente. O corpo minúsculo desse grande afogado que foi Ícaro pelos olhos de Bruegel, dir-se-ia mesmo o corpo de um insecto no seu esbracejar raquítico, em plena agonia discreta, que se bate na água imparcial da tela, o sol inexplicavelmente posto, a maior embarcação tão próxima da costa e à bolina, um pastor e um lavrador exactamente como os seus animais, imensamente desapercebidos e incrédulos, a bela mesura de todos os dias, a enorme falta de ambição que existe no protagonismo abstracto da vida, quando comparada com o papel de figurante que Bruegel atribui ao fabricante da queda, deixou-me mal disposto e, logo a seguir, compreendi que essa má disposição era um efeito do efeito que Bruegel criou no seu quadro, ao mal dispor propositadamente um acontecimento mítico em proveito duma verosímil e avantajada tarde de Primavera.
Hoje é dia 13 de Maio, tem estado muito bom tempo, mas eu continuo a ver imagens e pequenos filmes de acidentes de aviação no computador, no meu escritório, junto à janela, e recuso-me terminantemente em sair.


André Domingues

11 Maio 2008

seremos concomitantemente rectos


as bocas rasgadas pelos nomes são o temporário abrigo dos astros, das brancas flechas iniciadas para anunciar – ou digo um pelouro incendiado no corpo que drasticamente se dirige a deus; ou a simétrica explosão dos frutos; ou os rios nas correntes; as seivas vindas do fundo; os desfiladeiros; os ninhos impunes – a faúlha hereticamente devolvida

e seremos – os lugares áridos suspensos pelas margens – a primeira voz colhida ao antigo ranger dos que ainda morrem, a mágica alimentação

- nós – assentes em clarão - inextinguíveis, para sempre


maria rodrigues

10 Maio 2008

manuel almeida e sousa em Edita 08

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+info:
confraria

08 Maio 2008

Do oikos (casa) à terra (adamá)




Franciscanismo e unidade em Pedro Sinde


A filosofia de Pedro Sinde não comporta nenhuma sistematização. A obra é solitária e depende antes de tudo da sua personalidade. No entanto, a título de indicação, assinalaremos o seu carácter poético (errância) muito especial. Entende-se aqui que a palavra poética é, por conseguinte, participação, união no acto cognoscitivo, (pre)experiência visionária. A nosso ver o poeta se caracteriza - segundo Heidegger e a tradição mítica - pelo mensageiro. Ele supõe, portanto, a voz do querubin (o anjo), a manifestação sonora da mediação suprema. Com este termo - “anjo” - que, originalmente significava mediador, designamos a inteligência em sentido tradicional. É um acto de união entre o manifestado e a energia primeira, o “símbolo” por excelência.


Pensamento meditativo


Ainda aqui convém que nos entendamos quanto ao sentido que podemos conferir às reflexões de Pedro Sinde - iluminadas por fulgurações poéticas – se considerarmos alguns aspectos mais salientes da lógica e da linguagem que emprega - que podem ser focalizadas como uma tentativa de elucidação das categorias constitutivas do pensamento português (o seu fulcro visível/legível que vive nos porões da nossa experiência cultural). Notemos aqui, desde o primeiro momento, que o seu género é o ensaio; o estilo é o do pensamento meditativo (num tempo em que se assiste, no seu conjunto, à (des) essencialização do homem e a devastação da terra). Aí distinguimos, com efeito, algumas premissas fundamentais, a saber: a filosofia operativa tendo em conta os ensinamentos de António Telmo desde a sua “Arte Poética” (1963) e de Henry Corbin (a “sabedoria do Oriente” e o seu núcleo da gnose). A sua pesquisa apoia-se, como já indicamos, no papel medianeiro da imaginação, da imagem e, por conseguinte, da “palavra perdida em busca de si mesma”.


Arqui-originário


Na sua escrita sentimo-nos interpelados por um pensar - na sua incidência arqui-originária – enraizado, evidentemente, num fundo helénico e pré-helénico (Oriental). Isto é bem evidente, por exemplo, nos inúmeros estudos – comentários específicos e dissecações pertinentes - em torno da hermenêutica espiritual (esse algo de irredutível da nossa cultura que pode ser des-crita e de-cifrada). É a partir deste constante esforço de atenção – questionamento - que deverão ser focados os seus trabalhos sobre o autor de “Verbo Escuro” – Pascoaes - aquilo que chamaremos imaginal - sob o ângulo dos distintos “estados de visão” (poético, filosófico e “místico”). Uma leitura mais atenta dos seus livros faz surgir nomes, evoca ressonâncias.


Pendor iniciático


Mas julgamos necessário fazer algumas precisões à volta do livro que Pedro Sinde acaba de publicar: “O Canto dos Seres – Saudade da Natureza” (Serra D`Ossa, 2008). Convém observar que ele situa-se num cruzamento privilegiado entre a conceituação fundante da gnose ocidental com a oriental (aproxima-se mesmo de um certo cristianismo de pendor iniciático, que se reclama da “sancta paupertas”, a pobreza, espinha dorsal dos ideais de S. Francisco, a via evangélica da “ecclesia spritualis”). O seu ensaio é caracterizado por re-pensar a (nova) sensibilidade holística, um paradigma surgido nos últimos tempos, que busca incluir todas as formas de vida (do grego hólos = totalidade). Daí se reconhece que o sagrado transparece através do véu da matéria. Existe uma fio condutor que atravessa esta reflexão e análise: a questão do valor intrínseco do não humano na criação.


Natureza-livro


Em dois capítulos – Poética e Filosófica – o autor bosqueja um saber da terra, vivens, viva; apoia-se, embora na noção clássica, de natura, se assim podemos dizer, como um “livro” (cifra). Ora o respeito à natureza sempre fez parte do misticismo português e é uma ideia gnóstica (o universo é mais importante que o homem). Na actualidade quando falamos de ecologia teremos de ter presente três acepções da desinência grega que está na origem da mesma palavra (oikos). “Oikos” é a casa, a natureza ou casa cósmica na qual habitamos; o ecologismo manifesta preocupação com essa casa ameaçada. Mas de “oikos” vem também economia, que significa preocupação pelo governo da casa. E, finalmente, de oikos, vem “ecumene”, o ecumenismo, que faz referência à casa social de todos; é a preocupação pela realidade humana e não-humana, concretamente das diferentes culturas e religiões que manifestam maneiras diferentes de relacionar-se com o mundo.


Crítica à visão antropocêntrica


Temos de reconhecer que este ensaio heterodoxo - no contexto do nosso mundo técnico-científico e do positivismo integral - merece uma série discussão, pois caracteriza-se por uma crítica cerrada à (cosmo)visão antropocêntrica derivada da categoria homo-imago Dei, que põe o homem como o representante de Deus na Terra, para usar e abusar do mundo ao seu livre arbítrio. Neste contexto nasceu a ciência e a tecnologia modernas, como extrapolação da teologia cristã da natureza que coloca incondicionalmente a terra ao serviço do ser humano. A teologia em sua totalidade parece ter descuidado a sua reflexão da natureza, em prol da história. Deixo aqui de parte, porque é exterior ao que temos vindo as debater, a discussão sobre o a-teísmo, que renuncia ao conceito de Deus por indignação frente às injustiças deste mundo e que se obriga - pretensamente - a conceber o mundo como entregue a si mesmo e suas leis não admitindo a sua intervenção.


“Materia matriz”


Somos filhos de Adão, como conta o relato bíblico, o que significa em hebreu “filhos da terra” (adamá). Até ao versículo 2, 22, de Génesis, o termo Adão caracteriza o homem, princípio universal e homogéneo de toda a criação, arquétipo de todos os seres. Reaparece, portanto, aqui a chamada questão do mundo - que acolhe em si tanto a in-manência quanto a trans-cendência – e que re-aparece como (co) criação – no quadro da dramática humana. A natureza – enquanto “materia matrix” – pressupõe atermo-nos à diferença específica da cada ser. Ora julgamos poder afirmar – segundo Pedro Sinde – que há, por exemplo, diferentes modos de ser. Também de cantar. “Há – refere - o canto do mineral, o canto do vegetal, o canto do animal, o canto do anjo e o silêncio de Deus” (p. 136).


Cosmocentrismo


A tese do autor, nos termos em que a apresenta, nos parece inédita: veicula uma espécie de franciscanismo - cosmocentrismo – e onde se privilegia a relação simbiótica em todas as criaturas. A força da vida (sobre) natural ocupa o centro - no desdobramento de um itinerário questionador de que “Terra Lúcida – A intimidade do homem com a natureza” (2005) foi o ponto de partida. Propondo-se reflectir sobre o acentuado pessimismo a respeito da natureza e do conhecimento humano presente numa certa metafísica cristã – assente na noção gnóstica de “queda” que acaba por demonizar o cosmos e faz da matéria algo simplesmente e intrinsecamente “mau” e a natureza hostil ao ser humano - Pedro Sinde postula a sua proximidade a uma visão holística, visando o total, complexo e processual em toda situação. Dizendo sinteticamente: o holismo opõe-se ao individualismo, significando claramente as diferentes relações e a globalidade unindo o homem ao universo. Sabemos hoje, com S. Francisco de Assis e a filosofia zen, que afirmação e negação comportam apenas uma visão parcial. O que importa é captar a unidade – tendo em conta esse singular-plural que é mundo - , visto que a dualidade tem a sua origem na ignorância.


Alexandre Teixeira Mendes

marcela

Un hombre mira en la pared de la noche

Ejercicio en torno a los nacimientos

Tengo un nudo ciego en torno a los hombres sin cabeza Mi posición es la urgencia de los clanes Urgencia en torno a mi idea de desidia Cerca de mis balcones En los árboles y esa brisa que entra y rebota en esta ventana cerrada

Los perseguidos son situaciones forzosas El olvido y mi pobre ortografía Caballos de mi infancia y ese padre muerto Ahora no sé en qué año

Siempre allá al frente hay una luz un torso desnudo que mira hacia el otro lado Siempre al otro lado una madre y sus hijas Una igual a la madre Una igual al padre La que se parece a ambos no se parece a ninguno Ni a nadie

Las palabras están viciadas El entorno está vacío cada vez más lleno de galardones y cosas hermosas Nada tiene que ver el árbol con la flor o el fruto ya que en su misterio cada uno significa la muerte del otro Nada tiene que ver el padre o la madre en la vida de un tercero ya que su nacimiento termina irrevocablemente en la muerte de ambos

El amargo ejercicio es la crueldad de años anteriores Cartas bajo la almohada y fotos mandadas como venganza La venganza también es signo de muerte porque el que odia se mata un poco Siempre algo dentro de él muere La verdad el peor ejercicio es ocultar el brazo y el beso El deseo y el odio La extravagancia de la sonrisa En vez de la mala cara El desagrado completo por todo el que me rodea El desagrado
marcela saldaño


Um homem olha a parede da noite

Exercício em volta dos nascimentos

Tenho um nó cego em volta dos homens sem cabeça A minha posição é a urgência dos clãs Urgência em volta da minha ideia de desídia Ao pé das minhas varandas Nas árvores e nessa brisa que entra e rebate nesta janela fechada

Os perseguidos são situações forçosas O esquecimento e a minha pobre ortografia Cavalos da minha infância e este pai morto Agora não sei em que ano

Sempre além em frente há uma luz um torso nu que olha em direcção a outro lado Sempre a outro lado uma mãe e as suas filhas Uma igual à mãe Uma igual ao pai A que se parece com ambos não se parece com nenhum Nem com ninguém

As palavras estão viciadas O entorno está vazio cada vez mais cheio de galardões e coisas bonitas Nada tem a ver a árvore com a flor ou o fruto já que no seu mistério cada um significa a morte do outro Nada tem a ver o pai ou a mãe com a vida de um terceiro já que o seu nascimento termina irrevogavelmente na morte de ambos

O amargo exercício é a crueldade de anos anteriores Cartas debaixo da almofada e fotografias enviadas como vingança A vingança também é signo de morte porque quem odeia também se mata um pouco Sempre alguma coisa dentro morre A verdade o pior exercício é ocultar o braço e o beijo O desejo e o ódio A extravagância do sorriso Em vez da sisudez O desagrado completo por tudo o que me rodeia O desagrado

vitor belém na hibiscus

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07 Maio 2008

António Manuel Caldeira Azevedo (1947-2008)

06 Maio 2008

Graciete Nobre apresenta Imaginália

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Havia uma fonte no meio da praça principal da cidade. Chovia torrencialmente naquele Inverno entre 2 séculos.

Os poucos que se aventuravam fora de portas podiam ver as duas águas que se cruzavam: as águas da terra, que se elevavam para o espaço, as águas do espaço, que desciam para a terra, majestosas e indiferentes.
Como todas as cidades, passadas e futuras, Imaginália é a cidade dos mil desejos. Mas só alguns se realizam. Talvez poucos.
Não se trata duma cidade imaginária, pelo menos não o é mais do que qualquer outra.
Não se situa num local em especial, nem em nenhum país.
Imaginália existe no coração de todas as cidades. De todas as pessoas. Nos sonhos a dormir, cuja acção se situa em cidades ou em lugares habitados por gente.
Nas recordações dos viajantes vindos doutras paragens, dos imigrantes, dos que nascidos nas aldeias remotas, para ali transportaram as suas vidas, as suas memórias, os seus desejos.
(Graciete Nobre, Imaginália)

sitio#04

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05 Maio 2008

uma farândula mirandesa em lisboa

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Teresa Wilms Montt

POEMAS

IX
Los dioses, revestidos de sus túnicas olímpicas, han venido a
visitarme. Todos conservan su majestad, todos menos el Amor, que
se entretiene en hacer piruetas a la luz de la lámpara y en amenazar
con sus flechas a una japonesa de papier maché, que marca una mancha
oscura sobre el lecho.
El latido de las sombras es tan suave, como el aleteo de una
Mariposa ensoñada sobre la flor.

IX
Os deuses, revestidos pelas suas túnicas olímpicas vieram
visitar-me. Todos conservam a sua majestade, todos à excepção do Amor, que
se entretém a fazer piruetas à luz da lâmpada e a ameaçar
com os seus dardos uma japonesa em papel-maché que assinala uma mancha
escura na cama.
O latido das sombras é tão suave quanto o bater de asas de uma
Borboleta a sonhar numa flor.


***

XXXI
Los sombreros me causan la sensación de cabezas cortadas y
momificadas, y aquellos de los cuales cuelgan bridas de colores, se me
antojan cabezas arrancadas por mano brutal, donde ha quedado
adherida una vena sanguinolienta.
Nunca puedo ver un par de guantes sin imaginar que son piel
de manos disecadas y, en aquellos de color amarillo, encuentro algo
repugnante de lo que empieza a pudrirse.
Detesto las prendas de vestir olvidadas sobre la cama; hay
entre ellos y los muertos mucha analogía.
Vi una vez en un asilo a una loca muerta; y era lo mismo que
ver a un trapo violáceo tirado dentro de ataud!

XXXI
Os guarda-chuvas causam-me a sensação de cabeças cortadas e
mumificadas, e aqueles cujos abrigos são feitos com panos de cores
presentificam-se-me como cabeças arraçadas por mãos brutais onde ficou
aderida uma veia sanguinolenta.
Não consigo nunca ver um par de luvas sem imaginar que são pele
de mãos dissecadas e, quando são amarelas, dou conta de algo
repugnante daquilo que começa a apodrecer.
Detesto os jogos de vestir esquecidos na cama; há
entre eles e os mortos demasiada analogia.
Vi uma vez num asilo uma louca mortga; era o mesmo que
ver um trapo violáceo tirado de um caixão!

Teresa Wilms Montt


(trad: aam)

Avarias em Boticas

CURSO DE TEATRO 2007-08
apresentação final
10 Maio 08 - 21H30
Auditório Municipal
Boticas


AVARIAS
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Textos de

Abel Neves
NA VENDA DE TITIMÓ
(excerto do romance “Precioso”)
*
Alexandre O’Neill
MEDITAÇÃO NA PASTELARIA
*
José Carlos Dias
AVARIAS, DISCUSSÃO, LIVRARIA, O CANDEEEIRO
*
Miguel Torga
SEGREDO


Um corte de energia eléctrica inspira um poema ao insigne fabricante das máquinas de lavar Whirpool. Na venda do senhor Timóteo, Titimó para amigos e clientes, discute-se o chalet suíço. O pequeno e inteligente cão perde o direito a sentar-se à mesa da pastelaria. Uma pessoa procura uma boa discussão e servem-lhe contradição, só contradição. Na livraria há livros, muitos livros, mas nenhum dos que interessam ao cliente. Uma criança, onde é que isto já se viu, teima em não revelar um segredo. O candeeiro destinado a iluminar a obscura Rua das Magoitosas vira fogo de artificio na romaria de Nossa Senhora das Moitas. Definitivamente, tudo fora dos carretos. Tudo situações absurdas, AVARIAS. Como muitas vezes na vida, afinal.
Andámos meses à volta delas. Não resolvemos nenhuma. Só arranjámos uma ainda maior: a mania de querer fazer teatro na nossa terra. Será grave? Terá conserto?

Actores: Bruna Dias, Cláudia Santos, Cristiana Justo, Diogo Justo, Elisabete Monteiro, Emanuel Ponteira, Eva Fernandes, Francisca Dias Pereira, Manuel Inácio, Marta Freitas, Nícollas Sousa Assunção, Paulo Jorge Pereira, Sara Monteiro
Figurinos: Cristiana Justo, Elisabete Monteiro
Luz e som: HCF
Orientador:
Hermínio Chaves Fernandes

02 Maio 2008

nelson silva fotografa Arte e Criação em Vieira do Minho